01/03/10
- Países latino-americanos devem tomar frente da produção
de biocombustíveis em um cenário futuro de crescente
demanda pelo energético "verde". No mesmo compasso,
as crescentes economias asiáticas deveram figurar entre
os principais consumidores.
O dado é de estudo sobre o tema, intitulado "Etanol
e biodiesel como recursos energéticos alternativos: perspectivas
da América Latina e da Ásia", publicado na
Revista Brasileira de Política Internacional, de autoria
de pesquisadores do Departamento de Administração
da Universidade de Brasília (UnB).
O estudo conclui que para alcançar o potencial real dessa
bioenergia, são necessárias adequações
das políticas específicas do setor. Os pesquisadores
consideram urgente a necessidade dos países dispensarem
uma atenção maior à área de pesquisa,
colocando o custo e a disponibilidade de insumos e tecnologia
como prioridades.
Além disso, deverá havero o esforço para
transformar os biocombustíveis em commodity, o que deve
ampliar a renda dos países envolvidos no processo produtivo.
"Sem os subsídios, os biocombustíveis não
podem competir com o petróleo e seus derivados na maioria
dos países", diz o documento.
BRASIL E AL
Por motivos ambientais e tecnológicos, o Brasil é
apontado, na maioria dos estudos sobre o assunto, como o país
que lidera o setor de bioenergia. Em países como Argentina,
Colômbia e Peru os governos estão procurando instituir
forte infra-estrutura regulatória para servir de base para
essa nova indústria, sendo na maior parte dos casos, adaptações
da experiência brasileira. Esse novo mercado pode ser impulsionado
com a especialização latino-americana na produção
de etanol e biodiesel. As restrições tecnológicas
ou de terra, aliadas à grande densidade demográfica
dos países asiáticos - ou seja, a insegurança
alimentar pode somar-se à segurança energética
-, são fatores que podem levar ao escoamento de boa parte
da produção desses energéticos para o continente.
O estudo ressalta que os acordos de cooperação de
tecnologias e produção de biocombustíveis
entre esses países asiáticos e os latino-americanos
devem ser estimulados. "Índia e Brasil, por exemplo,
são os dois maiores produtores mundiais de cana-de-açúcar
e desde 2003 possuem um memorando para cooperação
no desenvolvimento tecnológico do uso de etanol como combustível".
Os entusiastas dos biocombustíveis e os críticos
também foram apontados na pesquisa. No primeiro grupo,
figuram relatório do governo e de bancos de investimento,
que enfatizam as vantagens do combustível renovável.
O segundo grupo tem como principal argumento contra esse tipo
de energético as questões ambientais, que permeiam
desde a segurança alimentar, desmatamento e pouca contribuição
para a diversificação da matriz energética.
Fonte:
Portal Luiz Nassif